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Combate ao Aedes: Ministério da Saúde inicia monitoramento de resistência a inseticidas (2023-2026)

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O Ministério da Saúde publicou a Nota Informativa nº 10/2025, detalhando o plano de ação para monitorar a resistência das populações de Aedes aegypti aos inseticidas utilizados no Brasil. A iniciativa, que cobre o período de 2023 a 2026, é uma resposta necessária à capacidade de adaptação do mosquito, que ao longo das últimas décadas desenvolveu resistência a diversos compostos químicos, como o temephos e a deltametrina.

O monitoramento será executado em parceria com a Fiocruz (Laboratório de Biologia, Controle e Vigilância de Insetos Vetores) e a OPAS, abrangendo 60 municípios estratégicos, incluindo todas as 27 capitais.

Por que monitorar a resistência?

Desde os anos 90, o uso contínuo de controle químico gerou uma pressão seletiva sobre o Aedes aegypti. Estudos anteriores (2017-2018) já haviam apontado resistência ao Malathion e indícios de falha no Piriproxifeno em algumas regiões.

Sem esse monitoramento, os gestores correm o risco de utilizar produtos que não matam mais o mosquito, desperdiçando recursos públicos e falhando no bloqueio da transmissão de Dengue, Zika e Chikungunya.

O que será avaliado?

O estudo focará nos novos insumos preconizados pelo Ministério da Saúde, que incluem adulticidas bimodais (combinação de moléculas para driblar a resistência). Serão realizados bioensaios para determinar o perfil de suscetibilidade aos seguintes compostos:

  1. Piriproxifeno (Larvicida);
  2. Deltametrina;
  3. Praletrina;
  4. Imidacloprida;
  5. Clotianidina.

Produtos Atualmente Recomendados

O monitoramento visa garantir a eficácia dos produtos que hoje são a base do combate químico no SUS:Adulticidas (Residual): Clotianidina + Deltametrina.
Larvicidas: Bacillus thuringiensis israelenses (Bti) e Piriproxifeno.
Adulticidas (Espacial/Fumacê): Praletrina + Imidacloprida.

Onde e como será feito?

A coleta de amostras ocorrerá em 60 municípios brasileiros, selecionados por critérios técnicos (capitais, histórico de resistência ou uso de Estações Disseminadoras de Larvicida – EDL).

  • Metodologia: Uso de Ovitrampas (armadilhas de postura).
  • Procedimento: Municípios instalarão as armadilhas para coleta de ovos. As palhetas com ovos serão enviadas à Fiocruz, onde os mosquitos serão criados em laboratório e submetidos aos testes de exposição aos inseticidas.

Atenção Gestor: Municípios que já utilizam a metodologia de ovitrampas (Nota Técnica nº 3/2025) deverão enviar o material coletado conforme o fluxo estabelecido. A recomendação geral é a coleta de palhetas por duas semanas consecutivas.

Uso Racional: O Controle Químico é a última opção

A Nota Informativa encerra com um alerta crucial da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses (CGARB): o controle químico não substitui a remoção mecânica de focos.

  • Larvicidas: Só devem ser usados onde não é possível eliminar o depósito ou vedá-lo.
  • Fumacê (UBV): Exclusivo para bloqueio de transmissão em situações de surto/epidemia.

O uso indiscriminado de veneno acelera o processo de resistência. O foco principal deve continuar sendo a eliminação dos criadouros.

Referência: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos-e-notas-informativas/2025/nota-informativa-no-10-2025-cgarb-dedt-svsa-ms.pdf/view

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Autor

Foto de Pablo Couto

Pablo Couto

Pablo Couto é nutricionista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é técnico em sistemas de informação e servidor público na rede de atenção básica à saúde e Pós graduando em Informática em Saúde Digital. Além de possuir diversas formações em saúde pública. Capacitações em Sistemas do Previne Brasil pela Coordenação de Atenção Primária à Saúde do Estado do Rio Grande do Sul; Mudanças no Financiamento do SUS pela UNA SUS; Atualização em planejamento e gestão do Sistema Único de Saúde com a utilização do DigiSUS – Módulo planejamento – DGMP; Fundamentos para a Saúde Digital – RNP.
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