O cenário da gestão pública de saúde no Brasil acaba de dar um passo decisivo rumo à modernização. Em live recente realizada pelo Ministério da Saúde, foi apresentado oficialmente o e-SUS AF e o Plano Nacional de Migração do Sistema Hórus. O evento marcou o início de uma transição tecnológica que promete otimizar a assistência farmacêutica em todo o território nacional.
A Evolução Tecnológica da Assistência Farmacêutica
O sistema Hórus, que por anos foi o pilar da gestão farmacêutica no SUS, será substituído pelo e-SUS AF. Esta mudança não é apenas estética, mas estrutural: o novo sistema adota uma arquitetura de software livre com alta capacidade de escalabilidade. O objetivo é superar limitações tecnológicas anteriores e oferecer uma ferramenta mais ágil e robusta para estados e municípios.
Governança Tripartite e Colaboração
Um dos pilares do e-SUS AF é a sua natureza colaborativa. O projeto é fruto de uma construção conjunta entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS).
Diferente de modelos anteriores, o código-fonte do e-SUS AF é considerado um patrimônio do SUS. Isso garante que os entes federativos possam participar ativamente da evolução da ferramenta, assegurando que ela atenda às necessidades reais da ponta do sistema.
Integração com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)
A modernidade do e-SUS AF reflete-se em sua capacidade de interoperabilidade. O sistema está sendo integrado à prescrição eletrônica por meio do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) da Atenção Primária à Saúde (APS).
O fluxo estabelecido define a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) como o grande concentrador das informações. Na prática, a prescrição realizada no atendimento clínico é enviada à RNDS, e o e-SUS AF consome esses dados diretamente da base nacional, agilizando o processo de dispensação e garantindo a segurança das informações.
Processo de Adesão e Cronograma de Migração
A transição para o e-SUS AF é um processo voluntário, inclusive para municípios que já utilizam sistemas próprios de gestão. O governo reforça que a ferramenta é gratuita e visa o fortalecimento do setor público.
Para iniciar a migração, os secretários de saúde devem acessar o Hub de Soluções Digitais da Assistência Farmacêutica e formalizar a adesão, indicando um coordenador local para a instalação. O prazo estabelecido para o encerramento definitivo do sistema Hórus é de 180 dias, contados a partir da publicação da portaria pactuada entre o Ministério e os conselhos (CONASS/CONASEMS).
Capacitação e Suporte
Para garantir que os profissionais estejam preparados, será oferecido um curso de capacitação de 40 horas, com início previsto para o dia 22 de abril. O Ministério da Saúde também disponibilizará suporte contínuo através de canais de web atendimento, e-mail e oficinas presenciais em todo o Brasil ao longo do ano.
Atenção Crítica: Migração de Estoque e Inventário
Um ponto de extrema importância para os gestores é que não haverá migração automática de saldo de estoque do Hórus para o e-SUS AF. Para garantir a acurácia dos dados no novo sistema, as equipes locais deverão:
- Definir uma data de corte para encerrar as movimentações no Hórus.
- Realizar um inventário rigoroso e físico do estoque.
- Efetuar o lançamento manual dos saldos de implantação no e-SUS AF.
Este cuidado é essencial para evitar inconsistências e garantir que a nova gestão comece com dados fidedignos.
Abaixo segue o link da live completa para conferência:
- Lançamento do e-SUS AF e Migração do Hórus: O que você precisa saber
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