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Pemas-RS: Estado institui política de monitoramento em saúde

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A Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul (SES/RS) publicou em 26 de junho de 2026 a Portaria SES nº 345/2026, que institui a Política Estadual de Monitoramento e Avaliação em Saúde (Pemas-RS). A norma estabelece bases técnicas e metodológicas para acompanhar, de forma contínua e descentralizada, a execução das políticas de saúde em todas as regiões do Estado. A medida transforma o monitoramento e a avaliação (MA) em prática estruturante da gestão, articulada aos instrumentos oficiais de planejamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Assinada pela secretária Lisiane Fagundes, a portaria entrou em vigor na data de publicação.

O que é a Pemas-RS e por que foi criada

A Pemas-RS nasce da Resolução CES/RS nº 01/2026, aprovada pelo Conselho Estadual de Saúde em 7 de maio de 2026 e homologada em 28 de maio. Ela acompanha o movimento federal iniciado pela Política de Monitoramento e Avaliação do Ministério da Saúde (PMA-MS), criada pela Portaria GM/MS nº 8.585/2025.

A finalidade central é promover o uso de evidências para subsidiar a gestão pública em saúde. A política tem três objetivos declarados no Art. 1º: usar dados e indicadores para apoiar a decisão em todas as regiões de saúde, fortalecer a transparência e o controle social no SUS, e estabelecer bases metodológicas para acompanhamento contínuo e descentralizado.

A norma também se apoia na Emenda Constitucional nº 109/2021, que incluiu no Art. 37 da Constituição Federal o dever de a administração pública avaliar suas políticas e divulgar os resultados alcançados.

Os quatro eixos estratégicos da política

A Pemas-RS se organiza em quatro eixos, cada um com princípios e diretrizes próprios.

  • Eixo 1: Fortalecimento da Capacidade Institucional
    • Trata da força de trabalho dedicada ao MA. Entre as diretrizes está reservar carga horária protegida para essas atividades, integrar o monitoramento aos instrumentos de gestão do SUS e capacitar atores locais para acompanhar os Planos Regionais.
  • Eixo 2: Desenvolvimento de Ferramentas e Métodos
    • Foca na padronização metodológica com adaptação regional e na interoperabilidade tecnológica. As diretrizes preveem painéis de Business Intelligence (BI) publicados periodicamente, sistemas que interliguem bases de dados internas e externas à SES, e a substituição de métodos manuais por ferramentas integradas. O objetivo é tornar a informação compreensível para gestores, técnicos, controle social e imprensa.
  • Eixo 3: Formação e Engajamento dos Atores
    • Coloca a educação permanente como base estruturante. Prevê formação contínua de profissionais em todas as regiões, materiais educativos acessíveis e espaços coletivos de aprendizagem que aproximem saberes técnico, científico e popular.
  • Eixo 4: Governança, Pactuação e Decisão Baseada em Evidências
    • Reforça a gestão colegiada e a articulação interfederativa. Inclui a criação de grupos de trabalho regionais com participação de gestores, trabalhadores e usuários, a definição clara de papéis e responsabilidades, e o fortalecimento da prestação de contas à sociedade.

O que muda na prática para o gestor municipal

A portaria distingue duas fases de execução, e essa diferença orienta o trabalho do gestor.

A fase de implantação (Art. 5º) reúne as ações preparatórias: formalização da governança com o grupo de trabalho (GT) Pemas, definição de papéis e fluxos entre SES/RS, Regiões de Saúde e municípios, estruturação de sistemas de informação e painéis de BI, e formações iniciais para equipes. Os produtos dessa fase serão consolidados em relatório técnico específico.

A fase de implementação (Art. 6º) é a execução contínua: rotinas de coleta e atualização de indicadores, avaliações de processo, resultado e impacto definidas em Plano de Avaliação em Saúde, e publicação de relatórios, boletins e painéis com transparência ativa.

Para o município, o ponto de atenção mais concreto é o alinhamento com os instrumentos de planejamento já obrigatórios. A política exige articulação direta com o Plano Estadual de Saúde (PES), a Programação Anual de Saúde (PAS) e o Relatório Anual de Gestão (RAG). Na prática, o monitoramento deixa de ser um relatório isolado e passa a retroalimentar o ciclo de planejamento e a justificativa de prioridades.

Referência: https://diariooficial.rs.gov.br/materia?id=1445496

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Autor

Foto de Pablo Couto

Pablo Couto

Pablo Couto é nutricionista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é técnico em sistemas de informação e servidor público na rede de atenção básica à saúde e Pós graduando em Informática em Saúde Digital. Além de possuir diversas formações em saúde pública. Capacitações em Sistemas do Previne Brasil pela Coordenação de Atenção Primária à Saúde do Estado do Rio Grande do Sul; Mudanças no Financiamento do SUS pela UNA SUS; Atualização em planejamento e gestão do Sistema Único de Saúde com a utilização do DigiSUS – Módulo planejamento – DGMP; Fundamentos para a Saúde Digital – RNP.
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